“Não olha pra trás, não olha pr…” Mas já era tarde demais. Eu havia reconhecido sua voz e minha cabeça se virara automaticamente para ter certeza de que era você mesmo. Claro que era. Eu nunca confundiria seu vocabulário cheio de gírias engraçadas com nenhum outro. Pensei em sair correndo dali e nunca mais voltar. Mas eu estava naquela fila a horas, esperando minha vez ansiosamente para poder ench
er o prato de batatas fritas e finalmente matar a fome. Mas que fome? Depois de te ver, qualquer vontade de comer havia passado. Você sempre tivera esse efeito em mim - revirava meu estômago e enchia-o de borboletas. Você parecia bem, e aquilo pareceu me irritar. Bem humorado, bem vestido e, infelizmente, bem acompanhado. E lá vinha ela. Uma loira alta e gostosa, que aposto que deixava todos seus amigos com inveja por não serem você. Uma daquelas mulheres que parecia não ligar para nada a não ser se seu rabo de cavalo estava bonito e impecável. Mas que diabos você estava fazendo com uma mulher daquelas? Quando foi que você parou de acreditar naquele papo sobre bundas gostosas não compensarem garotas vazias? Por Deus, quando foi que você virou um completo idiota com tara por loiras mais idiotas ainda? Enfim, não me importa. Não estou nem aí para suas novas preferências, que aliás, são ridículas. Não me incomoda o fato de você ter mudado o corte de cabelo e o jeito de se vestir. Não ligo, juro. Não ligo por você trazer essa completa imbecil para o nosso restaurante favorito e estar se divertindo à beça com ela, e não comigo. Certo, talvez eu esteja com raiva. Mas você também estaria, se estivesse no meu lugar. Eu passei um ano tentando sair com outros caras e tirar você da cabeça. Um ano, e tudo que consegui foram resultados frustrantes. Tudo que conseguia pensar enquanto saia com alguém era sobre o quanto você me fazia falta. Clichê, eu sei. Mas acontece que nenhum outro cara tinha aquela sua barba mal feita, ou aquele seu cheiro de loção pós-barba. Nenhum deles me chamava de retardada por ainda ter medo do escuro, ou se irritavam com a minha mania irritante de estralar os dedos a cada 5 minutos. Nenhum deles percebiam a força enorme que eu estava fazendo para não tombar. Que merda. O que eu ainda estava fazendo ali, afinal? Já fazia um ano. Um ano cheio de crises, choros e noites perdidas. Um ano jurando para mim mesma que iria crescer, que iria mudar. Eu levei um ano para me convencer de que havia te superado, e você levou apenas alguns minutos para me convencer do contrário. Saí da fila e fui embora. Na verdade, eu tava indo embora. Juro que tava. Mas aí você apareceu na minha frente.
- Suzie? Ai meu Deus, quanto tempo!
E eu fiquei parada olhando pra você. Fiquei uns 5 minutos te encarando, tentando entender como foi que conseguimos chegar a esse ponto. Como foi que conseguimos estragar tudo desse jeito? E aí eu chorei. Chorei porque queria te mostrar que tava frágil, que tava cansada. Chorei porque queria colo, queria mimo. Chorei, sei lá porque. Talvez pra ver se você largava essa loira idiota e voltava pra mim.
- Eu tenho que ir, desculpa.
E fui. Juro que queria ter ficado, mas eu simplesmente me virei e fui embora. Ouvi você gritar meu nome algumas vezes. Ouvi você dizer que sentia muito. Não sentia. Não mais do que eu. E eu queria ter conseguido voltar lá e dizer que finalmente te entendi. Levei um ano pra conseguir, mas entendi. Eu era cheia de inconstâncias, e você era cheio de certezas. Eu não conseguia me agarrar a algo concreto, e você queria um relacionamento estável, sem idas e vindas. Nós nunca daríamos certo. Você sabe que nunca fui muito boa de memória, mas me lembro como se fosse ontem da última coisa que você me disse. “É como diz aquela música, pequena. - Às vezes o amor dura, mas às vezes fere ao invés disso.” E depois daquele dia eu passei a odiar Adele. Passei a odiá-la, porque ela estava certa. O amor pode ser bom, mas ele também machuca.”
— I only miss you when i’m breathing
via (
aredaydreams)